Alfabetização Matemática
Aprender não é somente incorporar dados e repeti-los, mas, principalmente, construir conhecimentos que possibilitem entender e resolver problemas de diferentes espécies em âmbitos culturais diversos.
Os conhecimentos adquiridos pelas crianças interligam-se e constituem redes cada vez mais complexas e organizadas, que lhes permitem compreender novos e mais complexos conhecimentos.
Para que uma criança aprenda a somar, não é preciso lhe ensinar todas as combinações numéricas possíveis. Isso resultaria em tarefas intermináveis e por demais tediosas.
As crianças de 5 e 6 anos já possuem certos conhecimentos matemáticos adquiridos em suas experiências cotidianas, que lhes são significativos precisamente porque foram aprendidos em situações funcionais.
O importante no processo de ensino da Matemática nos anos iniciais é oferecer às crianças oportunidades para identificarem relações numéricas espaciais e aplicarem-nas em situações cada vez mais elaboradas e complexas.
Como o aluno aprende:
O professor deve procurar conhecer
cada vez melhor as ações mentais que o aluno deve realizar, relacionando
conhecimentos anteriores com novas situações apresentadas, reelaborando ideias
sobre determinado conteúdo, observando fenômenos em um contexto e fora dele.
Como decorrência desse olhar, perdem espaço as situações de ensino centradas
exclusivamente em explicações e demonstrações, seguidas de exercícios com o intuito
de memorizar o conteúdo apresentado.
Nunca é demais ressaltar que pensar o
aluno como agente da própria aprendizagem não significa, em hipótese alguma,
abandoná-lo à própria sorte. Assim, é papel do professor mediar e planejar o
trabalho em classe como uma situação que crie condições – e abra espaço – para
o aluno perceber a possibilidade e a necessidade de relacionar saberes
conquistados em momentos diferentes e encontrar caminhos próprios de resolução
de problemas.
Objetivos gerais do ensino de Matemática
O ensino de Matemática nos anos
iniciais do ensino fundamental deve ter como foco que a criança consiga:
- utilizar o pensamento matemático para analisar e
compreender o mundo em que vivemos;
- interpretar as situações do cotidiano segundo o
olhar da Matemática e relacionando-as às outras ciências;
- criar estratégias próprias para resolução de
problemas;
- pensar, refletir e abstrair, com base em
situações concretas, para posteriormente organizar e interpretar;
- planejar e criar estratégias de resolução para
situações novas;
- utilizar diversos tipos de linguagens matemáticas
e empregá-las nas suas argumentações;
- reconhecer as relações entre o conhecimento
matemático e as outras áreas do conhecimento;
- refletir sobre os resultados obtidos em
situações-problema e verificar se são possíveis ou não.
Os eixos de conteúdos:
As propostas curriculares recentes
organizam os conteúdos matemáticos em quatro eixos:
I- Números e operações
Neste eixo temos a contagem, a
notação e escrita numéricas e as operações matemáticas. É importante que os
alunos sejam colocados diante de situações que lhes propiciem um senso
numérico, uma noção de números. Isso permitirá que interpretem e utilizem as
diversas informações numéricas com as quais deparam todos os dias e nas mais
variadas situações. Para que o desenvolvimento das noções numéricas ocorra, os
alunos deverão dispor de um ambiente aritmetizador.
Assim como se busca um ambiente
alfabetizador para o ensino da leitura e da escrita, o ideal é montar um
ambiente aritmetizador na classe. Como? Deixando à disposição cartazes,
quadros, calendários, gráficos, relógios e todo tipo de informação visual que
estimule o pensamento numérico, isto é:
·
que utilize os números em situações do cotidiano;
·
que exija contagem, comparação de quantidades e resolução de problemas
envolvendo as ideias de adicionar, subtrair, distribuir e multiplicar;
·
que estimule a utilização de estimativa, cálculo mental e procedimentos
de contagem.
Assim, todos perceberão onde e como o
sistema de numeração é utilizado.
Quando se ensina NÚMEROS é preciso
considerar que:
- a criança tem contato com os números desde antes
de sua entrada na escola, e traz idéias sobre eles que devem ser sondadas e
levadas em conta;
- o fato de visualizar nove cachorrinhos desenhados
em uma folha, ao mesmo tempo em que é apresentado o numeral 9, não significa
que a criança compreenda totalmente o significado do número. O algarismo 9 é
uma representação possível deste número, mas conhecê-lo não significa ter
compreendido todas as relações aí envolvidas;
- relacionar números é fundamental para a
compreensão do significado deles (o conceito de número envolve compreender, por
exemplo, que qualquer número natural corresponde ao antecessor mais um). Sendo
assim, ensinar os números isoladamente, um após o outro, é de pouca valia para
o aluno;
- levar em conta o sujeito que aprende e investigar
seus conhecimentos prévios;
- conhecer o conteúdo de ensino em questão (neste
caso, saber o que se ensina quando se ensinam números);
- conhecer o processo de aprendizagem para o
conteúdo específico (número).
II- Espaço e forma
Neste eixo, exploram-se relações de
localização espacial, direção, sentido e as propriedades iniciais das formas
geométricas.
Vivemos inseridos em um contexto
social que emite muitas informações. No caso da criança, a maioria dessas
informações é gerada e percebida na exploração do espaço ao seu redor.
Quando chega à escola, a criança traz
muitas noções de espaço, porque suas primeiras experiências no mundo são, em
grande parte, de caráter espacial. Por isso, estão naturalmente envolvidas em
tarefas de exploração do espaço. Enquanto se movem e interagem com objetos,
adquirem muitas das noções intuitivas que constituirão as bases da sua
competência espacial.
O conhecimento do seu próprio espaço
e a capacidade de interpretá-lo pode servir a um indivíduo para várias
finalidades, constituindo-se em uma ferramenta útil ao pensamento, tanto para
captar informações quanto para formular e resolver problemas. Por isso, as
atividades de localização e deslocamento são importantes e as crianças devem
experimentá-las com o próprio corpo.
Assim, a Geometria, como estudo de
figuras, formas e de relações espaciais, oferece uma das melhores oportunidades
para relacionar a Matemática ao desenvolvimento da competência espacial dos
alunos.
III- Grandezas e medidas
Neste eixo, são desenvolvidas as
noções iniciais de medição das grandezas: massa, comprimento, capacidade, tempo
e valor.
O trabalho com grandezas e medidas
justifica-se por sua grande importância social e sua aplicabilidade em muitas
situações vividas pelos alunos em seu cotidiano. Além do objetivo de
desenvolver o conceito de medir propriamente dito, quando os alunos participam
ativamente de situações que exigem comparações, é solicitado a eles contar de
forma organizada e analisar o objeto que está sendo medido com relação às suas
propriedades de tamanho e forma, para, finalmente, realizar algum registro de
suas decisões.
Basicamente, medir é fazer uma
comparação. Essa comparação pode ser direta, a olho nu, ou com o auxílio de
algum objeto ou instrumento para funcionar como unidade de medida.
IV- Tratamento da
informação
“Estar alfabetizado, neste final de
século, supõe saber ler e interpretar dados apresentados de maneira organizada
e construir representações, para formular e resolver problemas que impliquem o
recolhimento de dados e a análise de informações.” BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares
Nacionais: Matemática. Brasília, 1997.
A inserção desse eixo é importante,
pois se relaciona diretamente com números, com o desenvolvimento da percepção
espacial e, também, porque fornece aos alunos elementos para interpretar
gráficos e tabelas em um mundo no qual são cada vez mais frequentes e úteis na
organização de dados e informações.
Cada vez que é sugerida uma proposta
com leitura e interpretação de gráficos ou tabelas o que se pretende é:
·
desenvolver e utilizar procedimentos de coleta, organização e análise de
dados;
·
representar dados em forma de gráficos ou tabelas;
·
resolver e formular problemas com base em dados originários em tabelas e
gráficos.
JOGOS E RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS
O uso de jogos e brincadeiras como
estratégias de ensino, é uma ideia defendida desde o séc. XIX por Fröebel a
partir da Educação Infantil, devido à sua importância na exteriorização do
pensamento e na construção do conhecimento, além de propiciarem oportunidades
para os avanços sociais e o desenvolvimento da autonomia.
Os jogos exercem papel importante na
construção de conceitos matemáticos por se constituírem em desafios aos alunos.
Esses desafios favorecem as reelaborações pessoais a partir dos conhecimentos
prévios. Para a solução dos problemas, os alunos levantam hipóteses, testam sua
validade, modificam seus esquemas de conhecimento e avançam cognitivamente. Nos
jogos, os cálculos são carregados de significado porque se referem a situações
concretas (marcar mais pontos, controlar a pontuação, formar uma quantia que se
tem por objetivo etc). O retorno das hipóteses é imediato, pois se um cálculo
ou estratégia não estiver correto, não se atingem os objetivos propostos ou não
se cumprem as regras.
O jogo deve fazer parte das
estratégias de ensino do professor, isto é, deve-se ter uma intencionalidade
com essa atividade. Portanto o jogo não deve ser escolhido ao acaso, é preciso
haver clareza sobre os objetivos e/ou capacidades previstos para a utilização
do mesmo. É importante também que sejam planejadas e realizadas atividades de
sistematização dos conteúdos trabalhados com a utilização dos jogos.
Durante a realização do jogo, como em
qualquer outra atividade, o professor deve estar presente; podendo jogar com os
alunos, com uma equipe ou somente observando-os jogar. Essa observação pode ser
a oportunidade de descobrir com o aluno pensa e organiza o seu pensamento na
realização do jogo.
Além dos jogos confeccionados, é
interessante levar os alunos para fora da sala de aula. A utilização do pátio
da escola favorece aos alunos oportunidade de exploração do espaço e
organização da equipe.
Ao propor um jogo em equipes é
importante sugerir à turma a separação dos alunos como uma situação-problema a
ser resolvida.
As regras propostas para determinado
jogo devem estar registradas por escrito e devem ser constantemente relembradas
e cobradas. É importante também que se discuta com a turma sobre a finalidade
de cada regra e as consequências do não cumprimento da mesma.
Ainda é comum nas escolas o uso de
atividades (de livros didáticos ou fotocopiadas), onde são apresentados
problemas tendo o primeiro deles já resolvido como modelo. Para resolvê-los o
aluno apenas modifica números. Não há desafios nem levantamento de hipóteses e,
portanto, não há construção de conhecimentos, apenas reprodução de procedimentos
anteriormente apresentados. Isto reforça a idéia de que a resolução de
problemas na escola tem se reduzido a um pretexto para o aluno fazer contas. A
concepção do problema, neste caso, está equivocada, uma vez que a atividade se
constitui num exercício e não num problema, pois problema é uma situação, cuja
solução não é conhecida, a priori, por aquele que a enfrenta.
O uso do livro didático de matemática
Quando se elege o livro didático como
material de trabalho, o planejamento e a organização do trabalho são
essenciais. Avaliar os conceitos ensinados, ler os enunciados e modificá-los se
for necessário, selecionar páginas e atividades, inverter a ordem das
atividades ou das unidades, acrescentar ideias, providenciar materiais
concretos para enriquecer o trabalho, são posturas que requerem do professor um
planejamento bem organizado não bastando somente escrever no caderno (no quadro
de rotina semanal) o número da página do livro ou selecionar a atividade.
Referências bibliográficas:
STAREPRAVO, Ana Ruth. Jogando com a
matemática: números e operações. Aymará Edições e Tecnologia Ltda. Curitiba. PR
– 2009
Orientações gerais para o trabalho do
professor. Guia e Recursos Didáticos. Matemática. Pitanguá - 1º ano. PNLD -
2010. Editora Moderna
Orientações e subsídios ao professor.
Matemática. Buriti – 1º ano. PNLD – 2010. Editora Moderna




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